terça-feira, 23 de junho de 2015

Seminário Especial - Escrileituras no Observatório: Pesquisa, Didática e Currículo

Acontece entre os dias 25 e 26 de Junho na FACED/UFRGS o Seminário Especial - Escrileituras no Observatório: Pesquisa Didática e Currículo. Este Seminário Especial tem por objetivo discutir, avaliar e tornar público, alguns resultados teóricos e empíricos do Projeto "Escrileituras: Um modo de ler-escrever em meio a vida". O projeto Escrileituras foi desenvolvido nos últimos quatro anos por cerca de 100 pesquisadores divididos em quatro núcleos, UFRGS, UFMT, UNIOESTE e UFPel.



Professora responsável: Sandra Mara Corazza
Professores colaboradores: Silas Borges Monteiro, Carla Gonçalves, Ester Maria Heuser e Máximo Daniel Lamela Adó.


sábado, 18 de outubro de 2014

Conferencistas do Seminário de Educação 2014

Em novembro, acontece na UFMT o Seminário de Educação edição 2014. Além do SemiEdu 2014, acontecem também mais dois eventos em paralelo a esse, o I Colóquio internacional Escrileituras em Educação e o II Colóquio Nacional Pensamento da Diferença.

Além das discussões que serão propiciadas pelos nossos vinte e quatro GTs, contaremos com a presença de quatro conferencistas renomados na área da Educação.

Saiba um pouco mais sobre eles através dos PODCASTs abaixo:


















Não fique fora dessa! Inscrições pelo Site: www.ufmt.br/semiedu2014

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Escrileituras em Ação

Assista o vídeo de apresentação do Projeto Escrileituras: Um Modo de Ler-escrever los Meio a Vida: UFRGS, UFPel, UNIOESTE, UFMT, criado pelo Prof. Dr. Silas Borges Monteiro, coordenador do EFF e do núcleo Cuiabá - UFMT do Projeto Escrileituras.





Projeto Escrileituras, será apresentado no VII Colóquio Luso-Brasileiro sobre Questões Curriculares, de 18 a 20 de setembro, em Braga, Portugal, Universidade do Minho.
Também será apresentado no Seminário Nacional de Educação, SemiEdu 2014, parceria entre Secretaria Estadual de Educação e UFMT.
I Colóquio Internacional “Escrileituras em Educação”; e II Colóquio Nacional “Pensamento da Diferença”, que encerra o Projeto Escrileituras

sábado, 6 de setembro de 2014

SemiEdu Núcleo Cuiabá

Confira aqui o quarto núcleo do Projeto Escrileituras: UFMT Cuiabá, que em conjunto com o Grupo de Pesquisa Trabalho e Pesquisas sobre Trabalho e Educação (GEPTE) e o Programa de Pós Graduação organizam o Seminário de Educação 2014. 







Não fique de fora!
Confira no site a nossa Programação e modalidades para a submissão de trabalhos: http://www.ufmt.br/semiedu2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

SemiEdu Núcleo Toledo

Vocês já conheceram dois núcleos e tem mais um. Hoje é o núcleo UNIOESTE, em Toledo, coordenado pela Profª. Drª. Ester Maria Dreher Heuser.



De lá para cá vem vários integrantes. E você? Não vai ficar de fora né? 
Inscrições pelo site: www.ufmt.br/semiedu2014

terça-feira, 2 de setembro de 2014

SemiEdu Núcleo Pelotas

Ontem disponibilizamos o vídeo com algumas informações sobre o Núcleo de Porto Alegre. Hoje? Bom, hoje é sobre o núcleo de Pelotas, coordenado pela Profª. Drª. Carla Gonçalves Rodrigues, veja aqui:



Ah! Já fez sua inscrição? Não?! Então clica aqui www.ufmt.br/semiedu2014 #SemiEdu2014

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

SemiEdu Núcleo PoA

Nesta edição do SemiEdu, que será também o I Colóquio Internacional Escrileituras em Educação e II Colóquio Nacional Pensamento da Diferença, um elemento é constituidor: o encerramento de um projeto de quatro anos, financiado pelo edital Observatório da Educação, CAPES/Finep, coordenado pela Profª. Drª. Sandra Mara Corazza, da UFRGS. 

Além de Porto Alegre e Cuiabá, participam UFPel e UNIOESTE, em Toledo. Neste vídeo trailer vamos conhecer um pouco sobre o núcleo de Porto Alegre!



Eles estarão aqui em Novembro. E vocês?
Site Oficial: www.ufmt.br/semiedu2014

sábado, 30 de agosto de 2014

Vídeo e Podcast de apresentação do Seminário Educação 2014 (SemiEdu 2014).

O Seminário Educação 2014, conhecido por SemiEdu 2014, está sob a responsabilidade de dois grupos de pesquisa: o grupo Estudos de Filosofia e Formação (EFF), sob a liderança do professor Silas Borges Monteiro e Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Trabalho e Educação (GEPTE), sob a liderança do professor Edson Caetano.

Você já fez sua inscrição? Vale lembrar que a submissão dos trabalhos vai até 22 de Setembro de 2014. Clique aqui: http://www.ufmt.br/semiedu2014 

Serão três eventos simultâneos: SemiEdu 2014 | I Colóquio Internacional Escrileituras em Educação | II Colóquio Nacional Pensamento da Diferença.

Segue o Vídeo de abertura do SemiEdu 2014 http://vimeo.com/104791398 

Temos também o Podcast do evento, Clica ali e ouça as informações gerais do SemiEdu 2014! Está esperando o que para realizar a sua inscrição?

segunda-feira, 30 de junho de 2014

In pressões em Toledo

Vídeo produzido pelo bolsista de graduação Carlos Augusto Lopes dos Santos como relatório em vídeo da viagem feita pelo EFF para o IV Seminário Integrador Escrileituras, para Toledo-PR em maio de 2014.
Esse vídeo compõe o nosso primeiro ebook, "Toledo como vivências" que em breve será disponibilizado para download.



quinta-feira, 24 de abril de 2014

Transcriação

Sexto e ultimo texto produzido pro colóquio interno do EFF, unidade temática: Transcriação
Estudante de graduação em Psicologia na Universidade Federal de Mato Grosso. Participante do Grupo de Pesquisa Estudos de Filosofia e Formação (EFF) - UFMT.


Aproximadamente a quinze ou vinte dias atrás foi-me requerida a tarefa de produzir uma página sobre transcriação como atividade do colóquio interno do EFF. Tarefa ansiogênica pela falta de contato com o conceito de transcriação.

Não pude escapar a compulsão por tentar definir, compreender, apreender, o conceito de transcriação. Impulsionado pela necessidade de entender esse conceito pus-me a ler o referencial teórico indicado. No entanto essa iniciativa se tornou inócua no objetivo de clarear-me essa dúvida dada a densidade dos textos referendados na bibliografia do tema e ao meu parco contato com os mesmos.



Após uma pesquisa sobre o tema me deparei com uma tese de mestrado denominada “Esboço de Transcriação para a Metáfora do Infinito” defendida por Cesar Luiz Moreira da Fonseca Marques apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Federal do Paraná, sob orientação do Dr Carlos Roberto Vianna e co-orientação do Dr Alexandre Luis Trovon de Carvalho. Na referida tese Marques apresenta algumas elucidações das diferenças entre tradução e transcriação. Abaixo, passo a dar a voz ao próprio Marques citando partes de sua tese:



“Diferentemente da tradução pura e simples, a transcriação pretende mais do que apenas propiciar a passagem de um código para o outro. Visa à compreensão dos significados e idéias, das nuances, contidas no signo e relativos ao contexto cultural de ambas as línguas. Neste processo, ocorre uma transformação do que foi dito, uma manipulação por parte do tradutor/transcriador de modo que o que está sendo traduzido assume uma nova cara, que, de modo nenhum oblitera a figura do autor, mas a enaltece, pois torna o seu texto mais vivo, mais pleno de sentido."

A tarefa da tradução está limitada, portanto, pela impossibilidade da tradução pura ou perfeita onde todos os elementos do texto encontrem correlatos na língua para a qual está sendo traduzida. O que torna o processo de tradução em transformação ou transcriação que se torna então uma resposta frente ao desafio do interdito. 

Para minha surpresa ao tentar compreender o conceito de transcriação e traduzi-lo de uma forma que eu pudesse compreender me deparei com a própria transcriação (!) (?).

Referencia

MARQUES, Cesar Luiz Moreira da Fonseca. Esboço de transcrição para a metáfora básica do infinito. Curitiba, 2007. 106 f. http://www.ppge.ufpr.br/teses/M07_marques.pdf acessado em 14 de abril de 2014 às 14h

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Tradução

Quinto texto produzido pro colóquio interno do EFF, unidade temática: Tradução

Graduanda em Psicologia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Atualmente bolsista de Iniciação científica no projeto Escrileituras - Um modo de ler-escrever em meio à vida.

Tradução é criação. O conceito de tradução em Escrileituras surge a partir dos irmãos Campos que colocam o trabalho do tradutor como um trabalho criador, de experimentação. Rompe-se com a ideia de um tradutor transliterador e assume a feição autoral, que manifesta vivências. Tradução não se pensa sem tradição, ao mesmo tempo em que se desloca desse texto original o temos, talvez, como um objetivo distante, ou uma referencia distante. Não se pensa tradução sem pensar temporalidade, a cada aula um professor faz uma nova tradução de um mesmo conteúdo, a partir de elementos da própria vida. A tradução percorre as oficinas de transcriação como um dispositivo disparador das mesmas. O tradutor opera como um agente de fluxos de intenção.

Referencias

DALAROSA, Patrícia Cardinale. Observatório da Educação/CAPES/INEP. In: HEUSER, Ester Maria Dreger (org.). Caderno de Notas 1: projeto, notas & ressonâncias. Cuiabá: EdUFMT, 2011, p. 15-31.

sábado, 19 de abril de 2014

Método

Quarto texto produzido pro colóquio interno do EFF, unidade temática: Método

Estudante de graduação em Psicologia na Universidade Federal de Mato Grosso. Participante do Grupo de Pesquisa Estudos de Filosofia e Formação (EFF) - UFMT; do Núcleo UFMT do Programa Observatório da Educação - Escrileituras: um modo de ler-escrever em meio à vida e do Programa de Educação Tutorial - PET Conexões de Saberes, grupo "Inclusão, Diversidade e Protagonismo na UFMT".

Um pré(texto)sobre o Método

O Projeto Escrileituras: Um modo de ler e escrever em meio à vida, é um jogo de leitura e escrita, que toma a aprendizagem como um processo de pensamento, dinâmico e inacabável, que ocorre dentro do seu tempo, dentro do tempo da produção (Dalarosa, 2011, p. 20). As oficinas desse plano, despidas do roteiro marginalizador, são proponentes do distanciamento ao quotidiano, ao clichê, em rota ao inédito. 

O método e a metodologia nesse “oficinar” são distintos, em que o primeiro é bem mais que modo/modelo pronto de prática a ser seguido e o segundo bem mais que um passo a passo norteador. 

A metodologia é adotada pelo projeto Escrileituras, segundo Dalarosa (2011) como “um modo de intervenção investigativa nas formas de aprender” (p. 21), uma forma de trabalho que ocasiona ao participante da oficina a oportunidade de ser agente-pesquisador do inusitado, em um devir, uma pegada teórica e prática do “oficinar”. Essa desmembra e problematiza, assim, as noções empregadas de sujeito, de realidade e de verdade das proposições, de maneira tal, que estimula o estranhamento e dá contexto à ocorrência de novas vivências.

O método, por sua vez, é o que dá movimento a essa metodologia empregada. É o que torna esse estranhamento, essa aprendizagem, esse fazer e refazer vaporizados o bastante para descobrirem, adentrarem, e impregnarem cada espaço, cada viés desse corpo ator-pesquisador, dentro de uma modalidade de trabalho. Para Deleuze (1997), o método é “[...] um caso de devir, sempre inacabado [...]” (p. 11), a metodologia de mesma forma, é sempre um vir a ser, novos a cada uso partindo da leitura que se constrói e se desmembra a todo instante. 

A unidade temática método (cartográfico, Crítica Genética, Otobiográfico, transcriação, tradução, etc.), é o translado da metodologia (reflexão, deslocamento dos não lugares, material físico utilizado, etc.) aplicada na modalidade de atividade ofertada, no caso a oficina. Observa-se então, que essa não é uma unidade isolada, o que não implica que as demais sejam, mas que é atuante no que tange a motricidade da dinâmica singular pluralizada de cada unidade, de sua realização.

Modelo explicativo para a tríade: Modalidade, método e metodologia:



Referencias

DALAROSA, Patrícia Cardinale. Observatório da Educação/CAPES/INEP. In: HEUSER, Ester Maria Dreger (org.). Caderno de Notas 1: projeto, notas & ressonâncias. Cuiabá: EdUFMT, 2011, p. 15-31.

DELEZE. Critica e Clinica. Trad. Peter Pál Pelbart. Rio de aneiro Editora 34, 2004.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Escrileituras

Terceiro texto produzido pro colóquio interno do EFF, unidade temática: Escrileituras

Estudante de graduação em Psicologia na Universidade Federal de Mato Grosso. Participante do Grupo de Pesquisa Estudos de Filosofia e Formação (EFF) - UFMT. Participante do Núcleo UFMT do Programa Observatório da Educação - Escrileituras: um modo de ler-escrever em meio à vida.

Um nome ou um conceito? A partir do início do Colóquio houve uma espécie de estalo: Escrileituras é também um conceito, uma unidade temática que permeia as Oficinas. Escrileituras não é só o nome de um Projeto de Pesquisa. O Projeto em si, como afirma Dalarosa (2011) “encontra potência no ato de criação”.

            Por encontrar potências em tal ato de criação, não podia ser diferente que o conceito escrileitura, segundo Corazza (2007), é um texto que reivindica uma postura multivalente de coautoria entre leitor e escritor, para tornar-se, dessa maneira um exercício de pensamento.

            As atividades realizadas pelo grupo e em grupo permitem compreender escrileitura não só como um nome de um Projeto voltado para o campo da Educação. Permitem compreender que é em si um movimento de escrita-pela-leitura e da leitura-pela-escrita. O pensamento é provocado a criar textos ímpares, porém que não se fecham e são esquecidos, que tornam-se duros, impermeáveis. São textos abertos em que o autor/escritor/leitor pode interferir, traduzir para outras línguas.

            Tomando escrileitura como um modo de ler-escrever há dois autores por nós conhecidos com os quais acho que o diálogo pode ser estabelecido. O primeiro é Derrida. Tal autor afirma que  “só artificialmente podemos separar um texto da vida de seu autor” (DERRIDA apud MONTEIRO, 2013, p.60).  Já o segundo é Nietzsche, e a sua afirmação, presente no seu Zaratustra, é a de que “De tudo escrito, amo apenas o que se escreve com o próprio sangue.” (NIETZSCHE, Assim Falou Zaratustra, Do ler e escrever).

            Com esses autores é possível trazer para a escrita uma das coisas que me chamam a atenção nesse movimento de ler-escrever: uma escrileitura que além de reivindicar o autor, não dissocia sua obra de sua vida, aspecto esse que temos que cuidar para não cair em uma leitura com um quê de analítico, que acabam chegando a questões mais psicológicas. E também, é uma escrita-pela-leitura de entrega, que deve conter o seu próprio sangue, a sua luta nesse exercício de escrita e leitura. Escrileitura é um exercício de pensamento em meio à vida, com a vida.

Referências

CORAZZA, Sandra. Os cantos de Fouror: escrileitura em filosofia-educação. Porto Alegre: Ed. Da UFRGS e Sulina, 2007.
HEUSER, Ester Maria Dreher (org). Caderno de Notas 1: projeto, notas & ressonâncias. Cuiabá: EdUFMT, 2011.

MONTEIRO, Silas Borges. Quando a pedagogia forma professores: uma investigação otobiográfica. Cuiabá: EdUFMT, 2013.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Biografema

Segundo texto produzido pro colóquio interno do EFF, unidade temática: Biografema

Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Participante do grupo Estudos de Filosofia e Formação (EFF), mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso.

“Todo escritor dirá então: louco não posso, são não me digno, neurótico sou”. (Barthes, em “O prazer do texto”).

A partir da proposta do professor Silas e após um final de semana inteiro com Barthes, arrisco-me de uma forma simplista (poderia aqui, usar a desculpa da limitação de página, mas confesso minha inconsistência teórica) a fazer não uma definição de Biografema, mas sim um exercício conceitual.

O conceito de Biografema proposto por Roland Barthes pode ser apresentado como a biografia que flerta com a ficção, que não se restringe a uma vida histórica-cronológica, mas que sede espaço para a potência de uma nova vida através dos traços biografemáticos insignificantes e que se tornam disparadores de novos sentidos, novos textos, novas vidas. Sentidos que são tomados pelo “leitor” a partir da multiplicidade de signos que transpassam o texto (COSTA, 2010, p. 28).

Para Barthes todo texto é um “gesto coletivo”, sendo escrito-lido por várias mãos. Neste conceito visualiza-se claramente a proposta das Oficinas de Transcriação Biografemáticas, enquanto espaço facilitador da produção não somente à partir do texto lido, mas COM o texto lido (DALAROSA, 2011). A escritura biografemática não se trata de escrever sobre um autor, e sim da possibilidade de uma nova escritura e de um autor/texto reinventado.

Parafraseando Barthes, enquanto escrileitores: loucos não podemos, neuróticos somos.

Referências

BARTHES, Roland. O prazer do texto. São Paulo: Perspectiva, 1987.

COSTA, Luciano Bedin da. Biografema como estratégia biográfica: escrevendo uma vida com Nietzsche, Deleuze, Barthes e Henry Miller. Porto Alegre: UFRGS, 2010. 180 f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.

DALAROSA, Patrícia Cardinale. Escrileituras: um modo de ler-escrever em meio à vida. In: HEUSER, Ester Maria Dreher (Org.). Caderno de notas 1: projeto, notas & ressonâncias. Cuiabá: EdUFMT, 2011. p. 15-29

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Aula

Em decorrência do Colóquio Interno que está ocorrendo no EFF, que tem por objetivos:
  • Retomar, em seus pontos-chave, os conceitos propostos pelo Projeto Escrileituras: um modo de ler-escrever em meio à vida; 
  • Revisar e ampliar as unidades temáticas trabalhadas nas oficinas;
  • Preparar, organizar e escrever individualmente, ou em duplas, um artigo acadêmico científico nos moldes da Revista de Educação Pública.
Por dentro e ao redor das Filosofias da Diferença, esse colóquio problematiza a análise e discussão das fontes, métodos e modos de fazer do Projeto Escrileituras.

Assim, foi proposto a alguns dos participantes do colóquio, o exercício de apreensão e tentativa definição das unidades temáticas trabalhadas e em seguida a produção de um texto para apresentação ao Grupo.
As unidades trabalhadas foram: 1. AULA; 2. BIOGRAFEMA; 3. ESCRILEITURAS; 4. MÉTODO; 5. TRADUÇÃO; 6. TRANSCRIAÇÃO.

Hoje falaremos sobre a primeira unidade temática, Aula.
Mestre em Educação pela Universidade Federal do Mato Grosso, Integrante do EFF/IE/UFMT - Grupo de Estudos em Didática, Filosofia e formação do Educador - da Linha de Pesquisa Cultura Memória e Teorias da Educação também da Universidade Federal de Mato Grosso. Participa do Projeto Escrileituras do Observatório de Educação/INEP, como pesquisadora.

       Falando com Claire Parnet, Deleuze longamente, discorreu sobre o oficio do professor.
Ofereceu, nesta (con)versa valiosas pistas a respeito de sua concepção de ensino. Uma aula – diz Deleuze – com seu tempo dilatado, com a continuidade semana a semana, e contrariamente a uma conferencia, permite que se abanque, uma matéria em movimento... 
    “Curiosa ideia sobre o ensino: numa aula não se trata de transmitir uma informação, ou técnica de análise, mas de trabalhar uma matéria em movimento - a matéria pensamento” (PELBART, 2005, p. 9). 
   Movimento. Uma aula, no sentido deleuziano pede - como a dança envolve o corpo - um bailado. Camuflado no sentido, encontro que o termo "aula" denomina a lição que cada dia o professor dá a seus alunos (CASTELLO E MÁRSICO, 2007, p.103). 
     Dá? 
     Como dar uma aula? Esta questão assombra Sandra Mara Corazza. 
    Seguindo a melodia ouvida por Gilles, ela propõe o estranhamento deste lugar onde o professor segue falando a aula, com a sensação de que a “adentra” ao pisar na sala. Para ela, o verdadeiro problema, não é entrar e sim sair dela. “o professor carrega, encontra-se carregado, há cargas: ao seu redor, nos alunos, no plano de ensino, nos livros, na escola (2012, p.23)”. Apesar de não ser possível uma Receita, Corazza nos presenteia com a didática da Criação, que conta, assim como a confecção de uma partitura – com(passos) de aula. 
     Uma aula se afina, com: 
Dados: não estão prontos. São anteriores. Os que preenchem, são clichês, logo, dados-clichês. 
Trabalho: Escovar os dados-clichês. Preparatório, “invisível e silencioso e, entretanto muito intenso”. 
Preparatório: Esvaziar, desobstruir, desentulhar, faxinar, limpar a aula, para subverter as relações dos modelos com as cópias. 
Luta: fuga da aula-dada. Não há regras ou soluções universais. Só a peleia. 
Procedimentos: Só a mutilação não garante a deformação da cópia. Criação, saturação, esgotamentos, paródias. Caminhos procedimentais para explodir como força centrípeta no interior da aula clichê. 
Ato: ao criar regras próprias de ação, desorganizar e deformar dados de aplicação de forças, valoração dos valores, decapitar e sair voando da aula-clichê surge a sua aula. 
    Quando a aula estreia, o desaprender, a solidão acompanhada, os desalinhamentos, a recolocação através da criação, colocam auleiro e a matéria em movimento. 

Referências
Aula. Quem inventou que se trata de dom?(CORAZZA e AQUINO, 2011, p. 25). 


CASTELLO, Luis, MÁRSICO, Cláudia. Oculto nas palavras: dicionário etimológico para ensinar e  aprender. Tradução de Ingrid Müller Xavier. Belo Horizonte: Autêntica, 2007 
CORAZZA, Sandra Mara. Didáticário de criação: aula cheia. Porto Alegre: UFRGS, 2012 (Escrileituras cadernos de notas 3). 
CORAZZA, Sandra Mara, AQUINO, Júlio Groppa (Orgs.). Dicionário das ideias feitas em educação. Ilustrações Mayra Martins Redin. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011. 
PELBART, Peter Pál. Deleuze e a Educação. In: ABRAMOVICZ, Anete e SILVÉRIO, Valter Roberto (Orgs.). Afirmando diferenças: Montando o quebra cabeça da diversidade. Campinas, S P: Papirus, 2005.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Mini Documentário - Bifurcações na formação de Professores

"Do erro veio a ideia"

O Projeto Escrileituras: um modo de ler-escrever em meio à vida, núcleo Cuiabá - UFMT, tem a honra de apresentar o segundo mini documentário com relatos das Oficinas de Transcriação realizadas pelo grupo de pesquisa Estudos de Filosofia e formação ao qual o Projeto está vinculado.





Mini documentário sobre a Oficina Bifurcações na formação de Professores, realizada pelo Projeto Escrileituras com os professores das escolas vinculadas ao projeto. Tendo como oficineiros a Professora Regina Olea e acadêmica Maria Helena Figueiredo, contou com a participação especial do professor Claudiano Christ. A oficina aconteceu no mês de Setembro de 2013 durante o Circuito Cultural Setembro Freire sob a coordenação da Prof.ª Ms Larissa Silva Freire Spinelli, em Cuiabá - Mato Grosso.


Entrevistada | Regina Olea
Direção | Carlos Augusto Lopes dos Santos
Produção | Aline Nunes de Santana Lima e Filipe Breno Gomes Vinhas
Fotografia e som direto | Carlos Augusto Lopes dos Santos e Filipe Breno Gomes Vinhas


Coordenadores do Projeto

Coordenadora Geral e do Núcleo UFRGS | Sandra Mara Corazza
Coordenadora do Núcleo UFPel | Carla Gonçalves Rodrigues
Coordenadora do Núcleo Unioeste | Ester Maria Dreher Heuser
Coordenador do Núcleo UFMT | Silas Borges Monteiro

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Mini Documentário - Fantasias em cores, sabores e texturas.

O Projeto Escrileituras: um modo de ler-escrever em meio à vida, núcleo Cuiabá - UFMT,  apresenta o primeiro mini documentário com relatos das Oficinas de Transcriação realizadas pelo grupo de pesquisa Estudos de Filosofia e formação ao qual o Projeto está vinculado.

 

 
Elaborada pela doutoranda Emília Carvalho Leitão Biato com o apoio de membros do núcleo, a OsT Fantasias em cores, sabores e texturas foi planejada e realizada em três momentos. O primeiro foi em 2011, quando o núcleo começou seus primeiros movimentos com as OsT, ou seja, foi uma auto-oficina com todos os membros do núcleo UFMT. Em um segundo momento com a turma de Comunicação e Educação em Saúde do curso de Nutrição, ao intuito de (des)prepará-los para realizarem atividades educativas com saúde nas escolas. Por fim, em alguns encontros com as turmas de quinto ano da Escola Paciana Torres de Santana realizado no primeiro semestre de 2012. 

[Foto | Aline Lima]


Saúde, filosofia da diferença e educação: os três campos que a oficina põe em cena. Corpo e alimento: experiência; talvez experimentar o corpo a partir de alimentos: um objetivo para a Oficina de Transcriação Fantasias em cores, sabores e texturas. E, como conclui Emília Biato no texto "Cores, sabores e texturas: Fantasias do corpo em cena" publicado no Caderno de Notas 5: Oficinas de Escrileituras: arte, educação e filosofia. Oficinas produzidas em 2011:

"As fantasias tomam a forma de oficina, num tema prescritivo pelo menos a priori. Tarefa nossa de despovoar o discurso legitimado pelo aparato médico científico, que se oferece como logos. Não dispusemos a cumprir o texto, representar, nem ilustrar. Ensaiamos o parricídio num teatro cruel, com todo o rigor necessário aos despregamentos e à liberdade criadora na experimentação do próprio corpo. O que pode ser o artistar dos processos educativos em saúde, numa provocação da estilização da vida [1], veio como um lampejo. O corpo põe a vida em cena, em gestos únicos, insubstituíveis, imprevisíveis e imprescritíveis. Tomamos o teatro da crueldade como arte da diferença, como gestos sem reservas, sem retornos e representações. Impulso à vida como obra de arte".
[1] FOUCAULT, 1984; 1985.


Oficina
Elaboração e Realização | Emília Carvalho Leitão Biato

Mini Documentário

Registro Visual da Oficina

Produção textual da Oficina
Emília Carvalho Leitão Biato |  "Cores, sabores e texturas: Fantasias do corpo em cena" publicado no Caderno de Notas 5: Oficinas de Escrileituras: arte, educação e filosofia. Oficinas produzidas em 2011.
[para adquirir os Cadernos de Notas é só entrar em contato pelo e-mail escrileiturasufmt@gmail.com] 

Coordenadora Geral e do Núcleo UFRGS | Sandra Mara Corazza
Coordenadora do Núcleo UFPel | Carla Gonçalves Rodrigues
Coordenadora do Núcleo Unioeste | Ester Maria Dreher Heuser
Coordenador do Núcleo UFMT | Silas Borges Monteiro 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

50 TESES SOBRE ESCRILEITURA


Sandra Mara Corazza


2013 d.c.





Com um desejo ardente de trazer a verdade sobre a Escrileitura à luz, as 50 teses seguintes serão defendidas nas catedrais de WITTCAPESBERG, CHEPPENQUE e  VANNPÉDY, sob a presidência da necromanceira Warhammera Warga de Wolwea y WHASANSA, Mestra Trolla das Artes, MestrA Orca da Sagrada Misosofia, MestrA Uruka dos Heroscapers e Professora doutora Goblina de Comunicação Oficial das mesmas. Ela solicita que todos os que não puderem estar presentes para com ela disputar verbalmente, façam-no por escrito. E BEM ESCRITO.
In nomine domini nostri excelsi vocationem.
Amém.



LISTA DAS TESES


Abaixo sucedem as 50 teses:


1.  Práticas de Escrileitura, sem crer que um determinado tipo de leitura e de escrita, como o Científico, traz felicidade à humanidade. 


2.Tão rara como a paixão amorosa, a Escrileitura é região pantanosa para o mito narcísico, egos equilibrados e associação à verdade. 


3. A Escrileitura participa dos benefícios do próprio medo à autocatatonia complacente.  


4. A Escrileitura tem muita cautela com a auto-depreciação.


5. Como a Escrileitura não é realizada nem por amor nem por ódio, não se queixa nem dá queixa; não recrimina nem insulta; não se idealiza, desvalorizando outras escritas e leituras. 


6.As leituras e escritas diferentes da Escrileitura não são, por esta, julgadas como mais ou menos originais, adequadas ou produtivas; pois quem é que sabe se elas querem ser resgatadas da sua invalidade? 


7. A Escrileitura não vive o drama do relacionamento impossível com a escrita e a leitura originárias perdidas.


8. Liberdade da angústia, nas relações da Escrileitura com os precursores.


9. Citações, na Escrileitura, não são o resultado de melancolia mórbida.


10. Nenhuma necessidade de a Escrileitura atribuir autoridade ao texto ou à correlata identidade do sujeito que lê e escreve.


11. Assunção, pela Escrileitura, dos riscos de ler e de escrever; da perdição na infinita multiplicidade dos sentidos e das línguas; do abismar-se no sem-sentido; do silenciar definitivo da morte.


12. A graça da Escrileitura é destinar-se à falência interpretativa.


13. Para manter sua energia e tensão vitais, à Escrileitura interessam: a bossa, o compasso, a escada, a balança, a ampulheta, o sino, o caco, o morcego, o arco-íris, o quadrado mágico, oputto, o aqueduto, o trampolim, o spiritus phantasticus.


14. A Escrileitura possui uma natureza aérea, pneumática, plumária.


15. A Escrileitura se mantém apartada dos cânones explicativos e esclarecedores da leitura e da escrita científicas, impostos apenas aos anjos e aos mortos.


16. Age afirmativamente a Escrileitura que digere espumantes e sofre da emissão de ares; agem reativamente as leituras e escritas científicas, que totalizam um mundo referente, pacífico e ordenado.  


17. Semeada pelos Ministros e Vigias da leitura e da escrita científicas, a cizânia com a Escrileitura é como a vida: baixa e alta, triste e alegre, cheia e vazia, espiritual e material, divina e infernal.


18. A ciência da Escrileitura é só uma: a da criação críptica.


19. Preferindo hieróglifos, antes do que o logos, a Escrileitura extermina os atos de ler e de escrever moribundos.


20. Tanto mais interessante quanto menor for o dogma, a Inscrileitura só não é apupada pelos inducados da Inducação.


21. Sem abrigo natural, mobiliário confortável e decoração funcional, a Escrileitura habita o horror do desespero.


22. Possuindo duas faces, a Escrileitura as mantém voltadas para um nada de segurança.


23. A Escrileitura paralisa o gênio contemplativo.


24. Não parece ter sido provado, por argumentos racionais ou irracionais, que a Escrileitura tenha qualquer qualidade pela métrica ou pela estática.


25. Encontrando-se desprovida de função determinada, no contexto onde é lançada, de certeza da bem-aventurança e de harmonia entre os seus elementos, a Escrileitura é carente e excluída.


26. Por não encarnar nem exemplificar; mas, antes, por traduzir ideias; nem por isso, a Escrileitura fica dispensada de pagá-las com a própria vida.


27. Desde que é da função que nasce o órgão, livre é a Escrileitura da literalidade.


28. A Escrileitura incursiona e experimenta novos territórios, ao reler a tradição e reescrever a bagagem.


29. Equivocam-se aqueles que tomam a Escrileitura enquanto comissionada.


30. Se é que pode ser dito algo a seu favor, a Escrileitura é dispendiosa.


31. A maior parte do povo está sendo ludibriada pela escrita e pela leitura, autodenominadas científicas; e que são baratas, como todas as promessas.


32. A Escrileitura não aumenta o seu valor com o tilintar das moedas na bancada ou com a secreção da bile negra do prestígio científico.


33. Diante do tirânico juízo científico sobre as suas partes abjetas, que a rebaixa ou liquida, não há indicativos de qualquer contrição ou arrependimento da Escrileitura.


34. Serão condenadas por toda a Eternidade, juntamente com seus Mestres e Juízes, aquelas leituras e escritas salvas para publicação pelos Pareceres de Indulgência Científica.


35.  Os Pareceres de Indulgência remetem as escritas e leituras científicas à satisfação cristalina, ao perdão total e à salvação redentora.


36. Aqueles que ensinam a doutrina do texto científico não são os mesmos que exercem a lógica paradoxal ou da sensação.


37. Qualquer Escrileitura padece de clivagem na estrutura, em decorrência da culpa pecaminosa, que lhe é atribuída pelos Pareceres de Indulgência Científica.


38. A misericórdia distribuída pelos Pareceres de Indulgência aguça a consciência da Escrileitura acerca da sua situação anômala, declarada e assumida de antropófaga.


39. Até mesmo para os mais doutos leitores e escritores científicos é difícil exaltar, perante todo o povo, a liberalidade das indulgências, mesmo que argutas, dadas por seus Pareceres.


40. A Escrileitura desdenha a distribuição das indulgências científicas; e, mesmo, as odeia, quando há ocasião para tanto.


41. As indulgências, que asseguram publicação qualificada, são pregadas, por todas as comissões e comitês científicos, para que o povo as julgue preferíveis à Escrileitura.


42. A aquisição de indulgências inviabiliza a equiparação da Escrileitura às leituras e escritas científicas.


43. Dando textos aos pobres ou emprestando-os aos necessitados de Espírito, a Escrileitura procede melhor do que se comercializasse indulgências científicas.


44. Através da Escrileitura, cresce o amor aos textos e eles se tornam potentes; com as indulgências, o texto queda prisioneiro da obrigação de escrever e de ler cientificamente ou refém dos Pareceres.


45. Quem despreza a Escrileitura, para lidar e gastar com indulgências científicas, obtém somente a ira do povo.


46. Se a Escrileitura não tiver ideias em abundância, conservará só as necessárias para o texto; e, de forma alguma, desperdiçará recursos com as indulgências científicas.


47. A Escrileitura não compra piedade e não aceita clemência científica; por isso, não perde o temor de escrever e ler.


48. Antes de a Escrileitura acatar os interesses e critérios dos Comissários de Indulgências, prefere reduzir a cinzas o seu texto, em vez de edificá-lo com pele, sangue, carne e ossos.


49. Vã é a confiança na purificação da Escrileitura, por meio dos Pareceres de Indulgência Científica; mesmo que aquela desse a sua alma como garantia.


50. São amigos da Escrileitura aqueles que, outrora e hoje, esculpem palavras, ideias, imagens e signos; são seus inimigos todos os Profetas das Indulgências Científicas e os com eles condescendentes; os quais sejam excomungados e amaldiçoados por todo o sempre.




Oh, herege, para qual Escrita e leitura pendes?

Olha a força da injusta tirania científica sobre o século;
olha o desinteresse cruel pelo mundo artista;
olha a incapacidade de amar o perigo;
olha a inibição de toda atividade e sentimento de auto-desapego ; olha a força da claridade metódica sobre as coroas dos mártires intelectuais!
Deixa, escrileitor, simplesmente,
que leiam e se escrevam os teus textos!
E a Porta do Inferno, o Trono da pesquisa e o Sistema universitário nada poderão contra ti!